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Dia do Escritor

A Coragem de Escrever: Uma Homenagem no Dia do Escritor Hoje, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor no Brasil. Esta data, mais do que um marco no calendário, é um convite para honrar aqueles que dominam a arte de tecer palavras, construir universos e dar voz ao pensamento humano. Ser escritor é embarcar em uma jornada de profunda introspecção e coragem, uma profissão que, embora tradicional, é repleta de desafios contemporâneos. A carreira de escritor é, em sua essência, um ato de resistência. Exige a disciplina de encarar a página em branco, a resiliência para superar bloqueios criativos e a força para lidar com a autocrítica. Muitos aspirantes e até veteranos enfrentam a solidão do ofício, a incerteza sobre o mercado editorial e a constante busca por reconhecimento. É uma jornada que demanda não apenas talento, mas uma persistência inabalável e a capacidade de se reinventar constantemente. No entanto, é precisamente nesses desafios que reside a beleza e a força da escrita. Cada palavra escolhida, cada frase construída e cada história contada é uma vitória. A escrita tem o poder de curar, provocar e transformar. Ela é uma ferramenta para a reflexão, permitindo-nos explorar nossas próprias emoções e compreender o mundo sob novas perspectivas. Neste Dia do Escritor, que a inspiração encontre você. Lembre-se de que sua voz importa e suas histórias merecem ser contadas. A literatura brasileira é um mosaico riquíssimo, construído por nomes como Machado de Assis, Clarice Lispector e Jorge Amado, que continuam a inspirar novas gerações. Seu trabalho contribui para essa herança cultural, ajudando a registrar a memória do nosso país e a formar novos leitores. Portanto, celebre sua jornada. Honre sua dedicação, sua paixão e sua coragem. Continue a ler muito e a escrever muito, pois, como muitos mestres afirmam, esse é o caminho fundamental. Que a dúvida dê lugar à certeza de que suas palavras têm o poder de tocar corações, inspirar mentes e, quem sabe, mudar o mundo. Uma página de cada vez. Feliz Dia do Escritor

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Ana Cecília no evento Pôr do Sol da Literatura

A Poetisa Ana Cecília Ferreira participou do evento Pôr do Sol da Literatura A escritora, emocionada, apresentou o Painel Literatura, Ancestralidade e Poesia, retornando ao território onde nasceu e foi criada. A apresentação convocou todas as pessoas a honrar sua ancestralidade, a dar voz à sua arte criativa e a acreditar em si todos os dias. Ana Cecília, que se prepara para lançar seu próximo livro intitulado “Preta”, pela Editora BFK Books, declamou poesias, reencontrou pessoas e contribuiu para romper fronteiras com a poética plural. Foi um evento incrível!

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Lobisomens

Ontem à noite, assisti a um filme de terror. Daqueles cheios de neblina, uivos ao longe e sombras que se mexem pelas frestas das janelas. Era sobre lobisomens. Um dos temas que mais me fascinavam quando eu era criança. Mas o filme em si quase não importava. Bastou a primeira transformação da criatura, sob a luz prateada da lua cheia, para que minha mente viajasse — não para a floresta escura do filme, mas para outra floresta, de outro tempo, de outro mundo: a fazenda do meu avô. É impossível pensar em lobisomens sem pensar nele. A lembrança veio como um sopro de saudade. Quando eu era pequeno, íamos visitar meu avô com frequência. Era uma verdadeira caravana de primos. Aquelas visitas eram uma mistura de expedição e festa. Nós nos espalhávamos pela casa, pelo terreiro, pelos campos. Criança em tudo quanto era canto. Mas bastava a noite cair para que todos se reunissem num mesmo lugar: ao redor de meu avô. Ele sentava na cadeira de madeira e, com a voz firme e pausada, começava suas histórias. E que histórias! Não eram contos de fadas, eram batalhas épicas, lendas antigas, encontros com criaturas que só ousavam sair à noite. A favorita de todos era sempre a mesma: os lobisomens que rondavam a fazenda. Segundo ele, não era raro que surgissem pela mata, nas noites de lua cheia. Lobisomens de verdade. Criaturas terríveis, de olhos flamejantes e garras afiadas. Ele jurava ter enfrentado alguns em mais de uma ocasião. E, com um olhar sério e um leve levantar de sobrancelha, completava: “Algumas vezes escapamos por pouco… Mas sempre vencemos.” Aquelas palavras tinham o peso de uma profecia. E nós, um monte de pirralhos empilhados em torno dele, nem respirávamos. Era um silêncio tão profundo que até os grilos paravam para ouvir. Hoje, com o coração de adulto e a mente cansada dos dias corridos, entendo com clareza algo que na infância passava despercebido: aquelas histórias não eram só para assustar. Eram, sobretudo, para proteger. Ninguém queria imaginar uma criança se aventurando sozinha pelos arredores da fazenda, principalmente à noite, quando o mato virava labirinto. Mas meu avô era sábio. Sabia que colocar medo era, às vezes, um jeito de dar amor. E ele nos amava demais. Contava sobre lobisomens para que ninguém sequer pensasse em sair pela escuridão. E dava certo. A gente se encolhia nas redes e nos colchões espalhados pelo chão, esperando o primeiro canto do galo para ter coragem de sair. Mas meu avô não era feito só de histórias de assombração. Era um homem de contradições fascinantes: simples e profundo. Fazendeiro de mãos calejadas, mas leitor apaixonado. Tinha pouco estudo formal, como era comum em sua época, ainda assim, adorava os livros. Tinha uma pequena coleção dos romances de Júlio Verne, que guardava como um tesouro em uma estante modesta, feita por ele mesmo. Ele lia e relia aquelas histórias, com olhos brilhando como os de uma criança. “Vinte Mil Léguas Submarinas”, “Viagem ao Centro da Terra”, “A Volta ao Mundo em 80 Dias”… Eram seus portais para o impossível. E algumas dessas aventuras também viravam histórias para nós, suas plateias cativas. Só que, ao contrário dos lobisomens, ele nunca dizia que havia vivido essas. A ficção de Verne ele deixava como era: mágica, mas distante. Já os lobisomens… Ah, esses moravam ali mesmo, atrás do milharal. Com o tempo, claro, a infância se despede. E o mundo adulto se apresenta com suas verdades racionais, suas obrigações, seus calendários. Hoje sei que meu avô provavelmente nunca viu um lobisomem. Mas sei, com ainda mais certeza, que ele viu cada um de nós. E nos quis seguros, atentos, sonhadores. Ele nos presenteou com algo raro: o encantamento. Curiosamente, nunca li um livro de Júlio Verne. Mesmo sabendo que são obras-primas, que mudaram o mundo e inspiraram gerações. Sempre que penso em começar um deles, algo me freia. Não é desinteresse, é uma espécie de reverência. Medo de que a prosa de Verne, por mais bela que seja, me leve a um lugar que apague o som da voz do meu avô. Porque, para mim, as maiores aventuras de Júlio Verne sempre foram contadas com sotaque do interior, no alpendre da fazenda, com cheiro de café e bolo de aipim. E os lobisomens? Continuam vivos. Não nas florestas escuras ou nas telas de cinema, mas na memória mais terna que guardo do meu avô. Ele, sim, era um verdadeiro contador de lendas — um mestre em transformar medo em afeto, e histórias em eternidade. Adelson Sena

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Manual de Identidade (ironicamente incompleto)

Porque a identidade se consolida mesmo é no outro: no reflexo que deixamos, na memória que provocamos.Ironia das ironias: precisamos do olhar do outro pra nos construirmos — justo num mundo onde o outro mal olha, mal escuta, mal tem tempo de se perceber, quanto mais de perceber você. Vivemos entre espelhos: uns fiéis, outros embaçados, muitos quebrados. E é nesse jogo de reflexos que a identidade se arrisca: sendo confundida, projetada, editada, desmentida.Às vezes, a gente mal termina de se apresentar e já estão nos definindo: “a intensa”, “a fria”, “a difícil”, “a maravilhosa, mas…”. Enquanto isso, seguimos dançando entre o que somos, o que parecemos ser e o que esperam que sejamos.Um samba sem ensaio, um desfile sem roteiro — e, ainda assim, com cobrança de coerência e figurino adequado. Tem gente que corre atrás da própria imagem como se fosse um ideal inalcançável. E se frustra porque o feed nunca dá conta da fenda.Outras aprendem a caminhar com ela: sabendo que ser exige presença, e não perfeição. Que a consistência vem mais de se bancar do que de se explicar. No consultório, já vi muita identidade sendo forjada no susto.E muita também sendo reinventada depois de um divórcio, um luto ou um elogio inesperado de uma desconhecida no mercado.A verdade é que a gente se encontra nos lugares mais improváveis — e se perde, às vezes, nos mais seguros. No fim das contas, talvez o mais autêntico que a gente consiga ser é essa colcha de retalhos entre o que sentimos, o que escolhemos mostrar, o que os outros enxergam — e o que fica depois que a gente sai.Aquela memória vaga, um jeito de rir, uma frase solta que pegou e virou afeto. O nome disso? Identidade.(ou pelo menos uma tentativa digna dela.) Sem garantia de originalidade.Sem manual completo.E com muito orgulho da versão beta. Monique Sé

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Entre bastidores e cicatrizes: o que a moda e a escrita nos revelam

A psique humana é uma costura — de imagens, memórias, gestos interrompidos. Como terapeuta de abordagem fenomenológico-existencial, me acostumei a ouvir entrelinhas e a acolher o que não se encaixa nas vitrines da normalidade. Como autora, fui aprendendo a escutar também os silêncios de um texto — aquilo que ressoa entre o que se escreve e o que se vive. Quando recebi o convite para contribuir com o livro Entre Poses e Prosas, algo em mim se moveu. O mundo da moda, com seus bastidores glamorosos e cruéis, tem mais em comum com a alma humana do que costumamos imaginar: ambos lidam com exposição e ocultamento, brilho e dor, corpo e persona. Entre o salto alto e o vazio existencial, às vezes, só cabe um bom suspiro. Ou um bom texto. Escrevo meu capítulo com os olhos de quem escuta — e as palavras de quem já precisou, muitas vezes, reinventar-se. A escuta clínica me ensinou que ninguém é só o que mostra. Somos também o que hesitamos em revelar, o que encenamos para sermos aceitos, o que vestimos para suportar o mundo. A escrita, tal como a moda, pode ser performance. Mas também pode ser verdade. E talvez o grande desafio de quem escreve (ou desfila, ou cura, ou sobrevive) seja justamente esse: saber quando se está vestindo um personagem — e quando, finalmente, é possível tirar o figurino e respirar. Porque no fundo, todo texto é uma tentativa de ficar nu com alguma dignidade. E todo corpo, mesmo o mais sarado ou maquiado, abriga dúvidas que não se resolvem com chá detox nem com endorfina. Falo como alguém que ama o movimento — no tatame, na caneta, no prato. Que acredita que saúde não é a ausência de dor, mas a capacidade de continuar dançando com ela. E que humor, às vezes, é só uma forma elegante de dizer: sobrevivi. Que este livro — e tantos outros que brotam deste Conselho Editorial — nos inspire a dizer o que precisa ser dito. Mesmo quando dói. Mesmo quando brilha demais. Mesmo quando exige que a gente tire o salto, a máscara e até o discurso ensaiado. No fim das contas, talvez a prosa mais bonita seja aquela que começa quando a pose finalmente cede. Monique Sé

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Aerialista

Meu coração,meu corpo,minha alma e minha mente tornaram-se Aerialista.E o que é esse “ser” — quase um trava-língua encantado?É artista circense, é performer do ar:aquele que dança suspenso no invisível,que desafia o chão com o próprio fôlego,que voa sem asas,que gira, enrola, desenrola,em tecidos, liras, trapézios —bordando o céu com sua presença.Para mim, fazer acrobacias aéreasé o mesmo que fazer poesia no ar.Quando tudo se alinha com a minha forma de sentir o mundo — corpo, gesto, emoção — sou palavra que se ergue.Sou verso que se eleva.Sou o poema que sente o mundode cabeça para baixo — e de alma inteira.Meu primeiro contato com o tecido acrobáticofoi na forma do casulo.Ali, o tempo era outro.Os olhos não viam,mas a pele… a pele enxergava.Cada pensamento vinha coberto de névoa,como se minha infância cochichasse,baixinho, no fundo do meu ouvido.Às vezes era minha avó,com seu chá morno numa xícara sem asa.Às vezes era a menina —aquela, com olhos de ternura —de onde ainda me vejo.Na suspensão do silêncio,aprendi a mastigar de novoo que achava já ter engolido pra sempre.Ali, fui embalada.Voltei ao útero.O casulo me ninou, me acalmou,e preparou-me para eclodir —com segurança.Depois, o mundo já era espetáculo.Por entre os casulos suspensos,artistas da pirofagia cuspiram suas labaredas,lembrando que engolir fogoé coisa de quem nasceu em chamas.E no mesmo fôlego em que o fogo dançava,a perna-de-pau atravessava o tempo —de ferramenta romana a invenção sublime,agora lúdica, quase etérea,com seus passos improváveis.As cortinas se abrem.E, por detrás delas,atravessa o salão um emaranhado de tecidos coloridos, vibrantes —como se o abdome de um fantasma aracnídeotivesse vomitado a grande teia do espetáculo.Na suspensão, todo o peso se revela levezao mundo nos olha.O abraço lá em cima —corpos entrelaçados sobre as cabeças da Terra.No tecido laranja, no nosso ponto de partida.Uma enrolada de perna,uma torção de braço.As costas se encontram.Nos viramos, lentamente.Pela lateral dos ombros, nos olhamos.Nos reconhecemos.A mulher de cabelos ruivos — de costas para mim, no centro sagrado —com a outra metade da laranja.Nossas faces se ocultam.Nossos olhos carregam o segredo do instante.Os corpos giram.Os tecidos giram com eles.E a cena se refaz:agora, de costas,encaixadas pelas escápulas,mãos fechadas,presas à metade do tecido.A força dos braços e do abdômennos leva ao primeiro degrauda enrolada que ainda não se revelou.Subimos.Mais um degrau.Mais um ponto da teia,rumo ao teto.No terceiro degrau da figura —enlaçadas na força do abdômen —nos encontramos.Soltamos os braços.Ficamos.Presas apenas pelas pernas,tecendo com os corpos uma nova suspensão.Nos abraçamos no meio.Nos enroscamos no ar.Enquanto isso, lá embaixo,a plateia — em êxtase —era atravessada por artistas-disfarceque abraçavam o públicocomo se fossem gente comum,misturando os mundos.No estalar de dedos invisíveis,o transe daquela atmosfera se desfez.Nossos corpos desceram,suaves,como se não houvesse osso.E então:palmas.assovios.palmas.palma.Foi incrível.Foi perfeito.E pensar que tudo começou num casulo.— É por onde a vida começa. Emanuela Lopes01/07/2025

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Pré-lançamento do livro “Todo mundo tem uma história para contar – Escreva a sua”

Pré lançamento do livro “Todo mundo tem uma história para contar – Escreva a sua” O novo livro infantil da BFK Books, escrito por Caroline Borba e Adelson Sena é um livro interativo que convida a criança a contar sua própria história, através das atividades e passo a passo propostos pelos autores.  Com uma proposta inovadora, o livro, além de incentivar a leitura, fomenta a escrita desde a infância, estimulando o surgimento de novos autores.

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