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Lançamento do livro Preta

Você está convidado(a) a celebrar uma voz, uma história. No dia 23 de agosto, o Cine Teatro Lauro de Freitas será o palco do lançamento de “Preta”, o aguardado novo livro da escritora Ana Cecília Ferreira. Mais do que um livro, “Preta” é um convite à reflexão, um manifesto de orgulho e identidade. Venha se inspirar, se emocionar e fazer parte deste momento histórico. Marque na sua agenda: Lançamento do livro PretaData: 23 de agosto (sexta-feira)Horário: 18hLocal: Cine Teatro Lauro de Freitas Junte-se a nós para uma noite de literatura, cultura e celebração!

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Pré-lançamento da FLILAURO 2025

É com grande alegria que convidamos a todos para o pré-lançamento da II Feira Literária Inclusiva de Lauro de Freitas (FLILAURO), que acontecerá no dia 14 de agosto de 2025, no Parque Shopping Bahia – Piso L2, a partir das 10h30 e contará com uma programação variada, incluindo roda de conversa, oficina, intervenções culturais com alunos da Escola Gregório Pinto de Almeida, além da Exposição “A Paz em Todas as Línguas”. O evento conta com o apoio da Editora BFK Books.

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A importância do marketing editorial

Escrever e publicar um livro é uma das tarefas mais enriquecedoras e transformadoras que alguém pode realizar. Um livro é muito mais do que uma simples combinação de palavras. Um livro é a materialização expressa dos seus pensamentos, experiências e sonhos, ou seja, mercadologicamente falando, é um produto, capaz de atravessar gerações, deixar legados e ajudar na construção de um novo mundo. Mas, tão importante quanto escrevê-lo, colocar suas ideias no papel, é garantir que sua mensagem alcance o público certo, impacte vidas e inspire pessoas. É aí que entra o poder do marketing. A realidade que vivenciamos trabalhando no mercado editorial é que muitos escritores empenham-se de corpo e alma à criação de suas obras, mas se sentem desamparados quando o assunto é marketing. Usando as estratégias mais eficazes para promover seu livro, você pode potencializar suas divulgação, ao criar uma conexão poderosa com seus leitores podendo transformá-los em potenciais clientes e ou seguidores. O mercado literário é amplo, desafiador e, muitas vezes, imprevisível. A cada ano, milhares de livros são escritos, publicados, lançados, mas apenas uma pequena parte deles consegue se destacar, conquistar leitores e se transformar em best-sellers ou long-sellers. Quando nos perguntam o segredo para alcançar o topo, nossa resposta é única:marketing eficaz. A qualidade da escrita, temas atuais e instigantes, embora sejam elementos importantes, não são suficientes para garantir o sucesso nem atingir a marca de Best Seller. O atual cenário em que vivemos, envoltos em um mundo digital, deixa evidente que houve uma verdadeira revolução sobre como a forma como os livros são descobertos, comprados e lidos. Assim, o marketing tornou-se uma ferramenta indispensável para qualquer escritor que deseja ter sucesso e alcançar as listas dos mais vendidos. Caroline Borba

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A rebelião silenciosa das páginas

Em um mundo onde seu celular vibra mais que um liquidificador em dia de vitamina e a sua capacidade de atenção foi sequestrada por vídeos de 15 segundos, falar sobre livros pode parecer tão “vintage” quanto usar um orelhão. Mas vamos ser sinceros: no meio dessa maratona digital, os livros são mais do que papel e tinta; eles são um ato de rebeldia, um spa para o cérebro e, talvez, a nossa salvação. Pense no livro como o seu portal pessoal de desintoxicação digital. Enquanto as telas nos bombardeiam com notificações, a leitura de um livro físico exige uma coisa quase revolucionária hoje em dia: foco. Não há pop-ups tentando vender algo, nem comentários raivosos para desviar sua atenção. É só você e um universo inteiro contido em páginas. Estudos indicam que a leitura em papel melhora a concentração e a compreensão, especialmente em textos mais longos. É como fazer musculação para o seu cérebro, só que sem a parte de suar e reclamar. Além disso, o livro físico oferece uma experiência sensorial que nenhum dispositivo pode replicar. O cheiro de um livro novo (ou de um velhinho de sebo), a sensação de virar a página, o peso reconfortante nas mãos… são pequenos prazeres que nos ancoram no momento presente. Em um mundo de distrações infinitas, essa conexão tátil é um verdadeiro refúgio. A tecnologia tenta imitar essa experiência, mas convenhamos, deslizar o dedo numa tela não tem o mesmo charme de conquistar mais um capítulo. “Mas eu não tenho tempo!” – a desculpa mais popular do nosso século. A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” aponta que a falta de tempo é a principal barreira para a leitura. No entanto, muitos de nós passamos horas rolando feeds infinitos. A tecnologia, vista por muitos como vilã, pode na verdade ser uma aliada. Que tal trocar 20 minutos de redes sociais por 20 minutos de leitura? Pode ser em um e-reader, que combina a praticidade digital com uma tela mais confortável para os olhos, ou no bom e velho formato de papel. O importante é começar. Ler é um superpoder acessível a todos. Expande o vocabulário, estimula a criatividade, desenvolve o pensamento crítico e, comprovadamente, reduz o estresse. Em um cenário onde a informação é rápida e superficial, a leitura profunda nos ensina a refletir, a questionar e a formar nossas próprias opiniões. Então, da próxima vez que se sentir sobrecarregado pelo caos digital, rebele-se. Desligue as notificações, pegue um livro e mergulhe em uma boa história. Seja para aprender algo novo, viajar para mundos distantes ou simplesmente para encontrar um pouco de paz, os livros continuam sendo nossos guias mais leais e silenciosos. Eles não precisam de bateria, não travam e nunca vão te deixar na mão no meio de uma frase para uma atualização de software. Em um mundo que grita por nossa atenção, o silêncio de um livro é o som mais revolucionário que existe. Adelson Sena

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Pra que serve o seguro de vida se eu já não estarei aqui?

Essa é uma pergunta comum — e legítima. E, legitimando a minha condição de escritora-artista-empresária, posso te dizer: assim como a escrita acolhe os que virão, o seguro de vida ampara os que ficarão em nossa ausência. Ambos se oferecem como ato de amor para um tempo em que já não estaremos presentes. Quem escreve planta palavras como quem garante abrigo: deixa legado, teto contra o esquecimento, calor contra o luto da impermanência física, mapa para reencontros e encontros — de pensamentos, de histórias, do que talvez parecesse perdido. O seguro de vida protege os afetos. Protege suas pessoas para muito além do agora. A escrita também é assim — pensa à frente do tempo. Ela segura a palavra que nem a morte pode carregar. Contratar um seguro de vida é mais que um gesto de responsabilidade: é um gesto de cuidado. É pensar naqueles que continuarão sua história, além da sua presença. Ler é fogo aceso na lareira da memória. E o seguro de vida compartilha desse poder: o de reescrever destinos. Se você enxerga o seguro de vida apenas como algo ligado à morte, talvez ainda não conheça a verdadeira amplitude de coberturas que esse produto pode oferecer. Mais do que amparar financeiramente seus beneficiários em caso de falecimento, o seguro de vida pode ser uma ferramenta de proteção ainda em vida, com coberturas que atuam em situações inesperadas e desafiadoras, como: • IPA – Invalidez Permanente por Acidente • IFPD – Invalidez Funcional por Doença • Doenças Graves • Diárias por Incapacidade Temporária (DIT) • E muitas outras. Ou seja: o seguro de vida não é só sobre a morte. É também sobre viver com mais tranquilidade diante dos riscos do caminho. Se você é o provedor da sua casa, é autônomo, empresário ou simplesmente quer garantir que sua família ou seu futuro estejam protegidos contra o imprevisto, vale considerar esse tipo de proteção como uma parte da sua organização financeira. Quem somos nós? Aproveito para me apresentar: somos a CORBRAS, uma corretora com atuação em todo o território nacional, e por meio desta parceria com a Editora BFK, temos o prazer de oferecer a você condições exclusivas, orientação personalizada e acesso a um portfólio completo de seguros. Vamos aprofundar um pouco mais ? 1. “Seguro de Vida em Vida: As Coberturas Que Você Não Sabia Que Existiam” • Explicação sobre cada cobertura que pode ser usada em vida; • Exemplos (ex: autônomo com DIT, empresário com IFPD) 2. “Seguro de Vida é Só para Quem Tem Filho?” • Quebra de mitos: solteiros, casais sem filhos, idosos… • Planejamento financeiro e sucessório 3. “Quanto Custa um Seguro de Vida? Spoiler: Bem Menos do Que Você Imagina” • Mostrar simulações reais (sem números engessados) • Falar sobre custo-benefício, e diferenciação por idade, profissão, etc. 4. “Como Escolher o Seguro de Vida Ideal para o Seu Perfil” • Tipos de seguro (tradicional, resgatável, temporário etc.) • Dicas práticas para contratação e o papel da corretora na orientação Consulte-nos! CORBRAS Corretora Brasileira de Consultoria em Seguros Ltda. 71.3033-7300 corbras_corretora_seguros Emanuela Lopesescritora-artista, empresária-corretora de seguros

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Por que agora? — A cirurgia que minha mãe não fez

Minha mãe esperou até os 68 anos para tentar fazer a cirurgia nos olhos. Fez exames, consultou especialistas, se animou com a possibilidade. Estava tudo certo — menos o tempo. Morreu antes. Ela nunca reclamava alto, mas bastava prestar atenção: dor de cabeça, dificuldade pra enxergar direito, incômodos diários que ela naturalizou. Um dia percebi: as queixas dela estavam virando minhas. A dor dela, minha herança silenciosa. A estética estava lá também, claro. Sempre deixada pra depois. A vida foi exigente demais pra ela se colocar em primeiro lugar. E porque ensinaram — a ela, a mim, a tantas outras — que vaidade é pecado, luxo, futilidade. Nunca escutada. Fiz a cirurgia que ela não fez. Por mim. Como prêmio simbólico por estar me tratando melhor. Por parar de me abandonar quando mais preciso de mim. Por não deixar que o que é leve vire urgente — e o que é importante fique esquecido. Uma foto de 2019 me ajudou a ver como meu caso evoluiu. Eu ainda questionava a superficialidade. Percebi a evolução da minha mãe nas fotos antigas. Percebi o silêncio. Percebi as dores, mesmo que ninguém houvesse falado delas. Hoje, no meio do turbilhão — frustrações profissionais, conversas atravessadas, esperas demasiadas — eu quis fazer mais uma limonada. Uma das boas. E me lembrei disso tudo. Do tempo que corre. Do corpo que sente. Do cuidado que é preciso não adiar. Fiz por mim. Mas, de certo modo, fiz também por ela. Entre anestesias e afetos, três horas de cirurgia. O tempo parecia suspenso, mas a cabeça não. Enquanto a médica costurava os pequenos cortes que devolveriam leveza ao meu olhar, minha mente tecia outro tipo de urgência: a das palavras não ditas. Uma mensagem não enviada. Um texto inacabado. Um mal-entendido que me inquietava. A médica riu. Com delicadeza, mas com aquela autoridade de quem sabe: “Agora não é hora de resolver o mundo.” Existem afetos que não aceitam repouso. E ideias que se recusam a esperar cicatrização. Mas, aceitei. Ela tinha razão. Entre micropores e devaneios, voltei com um novo olhar, uma escuta mais afiada e a certeza de que não há mal-entendidos onde há espaço para cuidado. Aprendi, naquele silêncio anestesiado, que o modo como a gente se importa também tem forma, tempo e tom. E que escutar alguém com atenção — mesmo quando ela chega confusa, entusiasmada — é um tipo raro de afeto. Agradeço aos envolvidos. “Algumas dores não se dizem — se repetem.Outras, a gente corta, costura, cicatriza e devolve ao mundo com novos olhos.” Monique Sé

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Dia do Escritor

A Coragem de Escrever: Uma Homenagem no Dia do Escritor Hoje, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor no Brasil. Esta data, mais do que um marco no calendário, é um convite para honrar aqueles que dominam a arte de tecer palavras, construir universos e dar voz ao pensamento humano. Ser escritor é embarcar em uma jornada de profunda introspecção e coragem, uma profissão que, embora tradicional, é repleta de desafios contemporâneos. A carreira de escritor é, em sua essência, um ato de resistência. Exige a disciplina de encarar a página em branco, a resiliência para superar bloqueios criativos e a força para lidar com a autocrítica. Muitos aspirantes e até veteranos enfrentam a solidão do ofício, a incerteza sobre o mercado editorial e a constante busca por reconhecimento. É uma jornada que demanda não apenas talento, mas uma persistência inabalável e a capacidade de se reinventar constantemente. No entanto, é precisamente nesses desafios que reside a beleza e a força da escrita. Cada palavra escolhida, cada frase construída e cada história contada é uma vitória. A escrita tem o poder de curar, provocar e transformar. Ela é uma ferramenta para a reflexão, permitindo-nos explorar nossas próprias emoções e compreender o mundo sob novas perspectivas. Neste Dia do Escritor, que a inspiração encontre você. Lembre-se de que sua voz importa e suas histórias merecem ser contadas. A literatura brasileira é um mosaico riquíssimo, construído por nomes como Machado de Assis, Clarice Lispector e Jorge Amado, que continuam a inspirar novas gerações. Seu trabalho contribui para essa herança cultural, ajudando a registrar a memória do nosso país e a formar novos leitores. Portanto, celebre sua jornada. Honre sua dedicação, sua paixão e sua coragem. Continue a ler muito e a escrever muito, pois, como muitos mestres afirmam, esse é o caminho fundamental. Que a dúvida dê lugar à certeza de que suas palavras têm o poder de tocar corações, inspirar mentes e, quem sabe, mudar o mundo. Uma página de cada vez. Feliz Dia do Escritor

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Ana Cecília no evento Pôr do Sol da Literatura

A Poetisa Ana Cecília Ferreira participou do evento Pôr do Sol da Literatura A escritora, emocionada, apresentou o Painel Literatura, Ancestralidade e Poesia, retornando ao território onde nasceu e foi criada. A apresentação convocou todas as pessoas a honrar sua ancestralidade, a dar voz à sua arte criativa e a acreditar em si todos os dias. Ana Cecília, que se prepara para lançar seu próximo livro intitulado “Preta”, pela Editora BFK Books, declamou poesias, reencontrou pessoas e contribuiu para romper fronteiras com a poética plural. Foi um evento incrível!

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Lobisomens

Ontem à noite, assisti a um filme de terror. Daqueles cheios de neblina, uivos ao longe e sombras que se mexem pelas frestas das janelas. Era sobre lobisomens. Um dos temas que mais me fascinavam quando eu era criança. Mas o filme em si quase não importava. Bastou a primeira transformação da criatura, sob a luz prateada da lua cheia, para que minha mente viajasse — não para a floresta escura do filme, mas para outra floresta, de outro tempo, de outro mundo: a fazenda do meu avô. É impossível pensar em lobisomens sem pensar nele. A lembrança veio como um sopro de saudade. Quando eu era pequeno, íamos visitar meu avô com frequência. Era uma verdadeira caravana de primos. Aquelas visitas eram uma mistura de expedição e festa. Nós nos espalhávamos pela casa, pelo terreiro, pelos campos. Criança em tudo quanto era canto. Mas bastava a noite cair para que todos se reunissem num mesmo lugar: ao redor de meu avô. Ele sentava na cadeira de madeira e, com a voz firme e pausada, começava suas histórias. E que histórias! Não eram contos de fadas, eram batalhas épicas, lendas antigas, encontros com criaturas que só ousavam sair à noite. A favorita de todos era sempre a mesma: os lobisomens que rondavam a fazenda. Segundo ele, não era raro que surgissem pela mata, nas noites de lua cheia. Lobisomens de verdade. Criaturas terríveis, de olhos flamejantes e garras afiadas. Ele jurava ter enfrentado alguns em mais de uma ocasião. E, com um olhar sério e um leve levantar de sobrancelha, completava: “Algumas vezes escapamos por pouco… Mas sempre vencemos.” Aquelas palavras tinham o peso de uma profecia. E nós, um monte de pirralhos empilhados em torno dele, nem respirávamos. Era um silêncio tão profundo que até os grilos paravam para ouvir. Hoje, com o coração de adulto e a mente cansada dos dias corridos, entendo com clareza algo que na infância passava despercebido: aquelas histórias não eram só para assustar. Eram, sobretudo, para proteger. Ninguém queria imaginar uma criança se aventurando sozinha pelos arredores da fazenda, principalmente à noite, quando o mato virava labirinto. Mas meu avô era sábio. Sabia que colocar medo era, às vezes, um jeito de dar amor. E ele nos amava demais. Contava sobre lobisomens para que ninguém sequer pensasse em sair pela escuridão. E dava certo. A gente se encolhia nas redes e nos colchões espalhados pelo chão, esperando o primeiro canto do galo para ter coragem de sair. Mas meu avô não era feito só de histórias de assombração. Era um homem de contradições fascinantes: simples e profundo. Fazendeiro de mãos calejadas, mas leitor apaixonado. Tinha pouco estudo formal, como era comum em sua época, ainda assim, adorava os livros. Tinha uma pequena coleção dos romances de Júlio Verne, que guardava como um tesouro em uma estante modesta, feita por ele mesmo. Ele lia e relia aquelas histórias, com olhos brilhando como os de uma criança. “Vinte Mil Léguas Submarinas”, “Viagem ao Centro da Terra”, “A Volta ao Mundo em 80 Dias”… Eram seus portais para o impossível. E algumas dessas aventuras também viravam histórias para nós, suas plateias cativas. Só que, ao contrário dos lobisomens, ele nunca dizia que havia vivido essas. A ficção de Verne ele deixava como era: mágica, mas distante. Já os lobisomens… Ah, esses moravam ali mesmo, atrás do milharal. Com o tempo, claro, a infância se despede. E o mundo adulto se apresenta com suas verdades racionais, suas obrigações, seus calendários. Hoje sei que meu avô provavelmente nunca viu um lobisomem. Mas sei, com ainda mais certeza, que ele viu cada um de nós. E nos quis seguros, atentos, sonhadores. Ele nos presenteou com algo raro: o encantamento. Curiosamente, nunca li um livro de Júlio Verne. Mesmo sabendo que são obras-primas, que mudaram o mundo e inspiraram gerações. Sempre que penso em começar um deles, algo me freia. Não é desinteresse, é uma espécie de reverência. Medo de que a prosa de Verne, por mais bela que seja, me leve a um lugar que apague o som da voz do meu avô. Porque, para mim, as maiores aventuras de Júlio Verne sempre foram contadas com sotaque do interior, no alpendre da fazenda, com cheiro de café e bolo de aipim. E os lobisomens? Continuam vivos. Não nas florestas escuras ou nas telas de cinema, mas na memória mais terna que guardo do meu avô. Ele, sim, era um verdadeiro contador de lendas — um mestre em transformar medo em afeto, e histórias em eternidade. Adelson Sena

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Manual de Identidade (ironicamente incompleto)

Porque a identidade se consolida mesmo é no outro: no reflexo que deixamos, na memória que provocamos.Ironia das ironias: precisamos do olhar do outro pra nos construirmos — justo num mundo onde o outro mal olha, mal escuta, mal tem tempo de se perceber, quanto mais de perceber você. Vivemos entre espelhos: uns fiéis, outros embaçados, muitos quebrados. E é nesse jogo de reflexos que a identidade se arrisca: sendo confundida, projetada, editada, desmentida.Às vezes, a gente mal termina de se apresentar e já estão nos definindo: “a intensa”, “a fria”, “a difícil”, “a maravilhosa, mas…”. Enquanto isso, seguimos dançando entre o que somos, o que parecemos ser e o que esperam que sejamos.Um samba sem ensaio, um desfile sem roteiro — e, ainda assim, com cobrança de coerência e figurino adequado. Tem gente que corre atrás da própria imagem como se fosse um ideal inalcançável. E se frustra porque o feed nunca dá conta da fenda.Outras aprendem a caminhar com ela: sabendo que ser exige presença, e não perfeição. Que a consistência vem mais de se bancar do que de se explicar. No consultório, já vi muita identidade sendo forjada no susto.E muita também sendo reinventada depois de um divórcio, um luto ou um elogio inesperado de uma desconhecida no mercado.A verdade é que a gente se encontra nos lugares mais improváveis — e se perde, às vezes, nos mais seguros. No fim das contas, talvez o mais autêntico que a gente consiga ser é essa colcha de retalhos entre o que sentimos, o que escolhemos mostrar, o que os outros enxergam — e o que fica depois que a gente sai.Aquela memória vaga, um jeito de rir, uma frase solta que pegou e virou afeto. O nome disso? Identidade.(ou pelo menos uma tentativa digna dela.) Sem garantia de originalidade.Sem manual completo.E com muito orgulho da versão beta. Monique Sé

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